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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

A Massa


A dor da gente é dor de menino acanhado
Menino-bezerro pisado, no curral do mundo a penar
Que salta aos olhos, igual a um gemido calado
A sombra do mal-assombrado é a dor de nem poder chorar

Moinho de homens que nem jerimuns amassados
Mansos meninos domados, massa de medos iguais
Amassando a massa, a mão que amassa a comida
Esculpe, modela e castiga a massa dos homens normais

Quando eu lembro da massa da mandioca mãe 
Quando eu lembro da massa da mandioca mãe 
Quando eu lembro da massa da mandioca mãe 
Quando eu lembro da massa da mandioca mãe 

Quando eu lembro da massa da mandioca mãe 
When I remember of "massa" of manioc 
Quando eu lembro da massa da mandioca mãe 
Nunca mais me fizeram aquela presença, mãe 
Da massa que planta a mandioca, mãe 
A massa que eu falo é a que passa fome, mãe 
A massa que planta a mandioca, mãe 
Quand je me souviens da la masse du manioc, mère 
Quand je rappele de la masse du manioc, mère 
Quando eu lembro da massa da mandioca mãe 
Quando eu lembro da massa da mandioca mãe 
Quando eu lembro da massa da mandioca mãe 
Quando eu lembro da massa da mandioca mãe 

Lelé, meu amor lelé, no cabo da minha enxada, não conheço "coroné"!
No cabo da minha enxada, não conheço "coroné"!
Eu quero, mas não quero (camarão), mulher minha na função (camarão)
Que está livre de um abraço, mas não está de um beliscão!
Torna a repetir meu amor: (ai, ai, ai!)
Torna a repetir meu amor: (ai, ai, ai!)
É que o guarda civil não quer a roupa no quarador!
O guarda civil não quer a roupa no quarador!
Meu Deus onde vai parar, parar essa massa!
Meu Deus onde vai rolar, rolar essa massa!

Composição: Raimundo Sodré / Jorge Portugal

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